Brasil: 10/09/2010 11:51      Itália: 10/09/2010 16:51
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Histórico

 



História da imigração em Minas Gerais.

 

  Período histórico no qual foi verificado

Não é possível avaliar, hoje, o desenvolvimento de grandes cidades mineiras, sem levar em conta a histórica contribuição e influência dos imigrantes italianos,os “oriundi".
Especialmente para uma localidade conhecida como “Cercadinho", que depois passou a “Arraial do Curral de Del Rey", e recebeu o nome de “Belo Horisonte" em 12 de dezembro de 1897, a presença italiana foi de fundamental importância.
Hoje, os descendentes ítalo-brasileiros representam mais de 13% da atual população do país, de 175 milhões de habitantes.
Para compreender a influência italiana no Brasil como um todo, é necessária uma viagem ao tempo, em 1870, quando o crescimento do sentimento antiescravista forçava o Governo brasileiro e as províncias a iniciarem uma política de imigração que procurava atrair agricultores europeus para substituir a mão-de-obra escrava na lavoura.
Oficialmente, havia duas metas para a imigração. A primeira era a colonização, para busca de mão-de-obra especializada agrícola e povoar territórios. A segunda, criar um mercado assalariado, em substituição à mão-de-obra escrava.
Mas o objetivo principal era perseguido pelos “barões do café" - oligarquia paulista com forte influência na política nacional - que pretendia suprir a carência de mão-de-obra na lavoura cafeeira, já em crise, que se agravaria com a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888.
Dessa forma, o Governo brasileiro criou uma série de facilidades e, por intermédio de uma propaganda maciça na Itália, “vendeu" uma imagem do país, como uma “Terra Prometida". Na época, a Itália era um país agrícola bastante limitado, sendo que o desenvolvimento industrial ocorrera principalmente no norte, não alterando a situação de pobreza de sua agricultura.
Fugindo da guerra e da fome, acreditando nas promessas e um sonho de continuar a sobreviver como pequenos produtores rurais - condição que não conseguiam mais manter em seu país - os italianos pobres nem imaginavam o que estava por vir.
Milhares de imigrantes italianos, dentre eles jovens recém-casados, homens e mulheres de todas idades e crianças, decidiram atravessar o Atlântico em busca de uma vida melhor. Nos porões dos navios, vieram em situação degradante. Muitos morreram e seus corpos foram atirados ao mar.
Apesar dos problemas e dificuldades enfrentados pelos imigrantes, a estratégia do governo brasileiro surtiu efeito. De forma surpreendente, o Brasil é hoje o país com o maior número de italianos fora da Itália, superando até mesmo a Argentina e os Estados Unidos da América.
Ainda no “Arraial do Curral del Rey" a população nativa se dedicava, basicamente, a atividades agro-pastoris. Com a fundação de “Belo Horizonte", os imigrantes - com destaque para os de origem italiana, que possuíam habilidades na marcenaria, construção e fabricação de alimentos - começaram a chegar, vindo diretamente da Itália, graças ao programa de incentivo do governo mineiro. 

Zonas de origem dos imigrantes trentinos

Borgo Valsugana, Caoria (Canal San Bovo), Cavedine, Cembra, Cimone, Cognolla, Covelo, Faida di Piné, Faver (Val di Cembra), Giovo, Lasino, Levico Terme, Lisignago, Mattarello, Muscoli, Pergine Valsugana, Rocegno, Romagnano di Trento, S. Orsola Terme, Selva di Levico, Storo, Taio, Telve di Sopra, Torreano, Trento, Villazzano. 

Problemas encontrados para se adaptar ao novo ambiente

Os imigrantes italianos encontraram muitas dificuldades para adaptação ao novo ambiente, o clima, língua e a discriminação dos habitantes locais também contribuíram para as dificuldades encontradas. 

História contada por antepassados que vieram para o Brasil em busca de uma nova vida

Uma história interessante aconteceu com os membros trentinos da família Savoi, que imigraram para o Brasil logo após a 1ª Guerra Mundial. Giuseppe Savoi casado com Clementina Paolazzi Savoi, nascidos em Faver – Val di Cembra – Trento, lutou na 1ª guerra sendo convocado forçadamente, sob ameaça de uma baioneta calada, servindo ao exército austríaco que ocupou com o alto-comando a sua residência, foi capturado pelos soviéticos e ficou preso na Sibéria em meio as geleiras. Saudável, conseguiu fugir da prisão soviética misturando-se aos doentes e falecidos. Foi enviado de volta à Trento, dois dias depois de sua chegada foi declarado o fim da guerra, recebendo depois, os agradecimentos pessoais do Imperador Francisco José da Áustria. Indignada com a forma pela qual Giuseppe Savoi foi convocado para lutar na guerra e pelo sofrimento que passaram no decorrer, Clementina Paolazzi sua esposa e mãe de oito filhos, Marcella, Pompeu, Miriam, Gemma, Lina, Ezio, Ettore, Arrigo Savoi e grávida de gêmeos, sendo que Amério Savoi nasceu no Brasil e o outro faleceu, não queria que seu filho mais velho Pompeu Giuseppe Savoi ingressasse no exército de Benito Mussolini, convenceu o marido a emigrarem para o Brasil em busca de uma nova vida, repleta de paz, harmonia e felicidade. Ao chegarem a Genova, passando por exames, um médico da imigração impossibilitou-os de seguirem viajem no navio, no qual tinham comprado as passagens na primeira classe como turistas, declarando que dois de seus filhos, Pompeu e Miriam, estavam com tracoma (doença infecciosa dos olhos), dizendo que todos teriam que voltar para Trento. Por intermédio de um outro médico que examinou seus filhos não constatando o mesmo diagnóstico, o fato foi comunicado ao Príncipe di Savoia que os liberou, somente sendo possível seguirem viajem em outro dia em um navio de imigrantes na segunda classe, partiram do Porto de Genova no navio Pincio em 17 de março de 1924. Chegaram ao Brasil, no Estado do Rio de Janeiro em 05 de abril de 1924, onde depois se deslocaram para Ilha das Flores – RJ, quando separaram a mãe e dois filhos, Ezio e Ettore, do restante da família, pai e irmãos, levando-os para o Hospital Paula Cândido em outra ilha sem avisar ao marido, somente voltando três dias depois. Na Ilha havia três galpões com muitos alemães e somente a família Savoi de italianos, todos dormiam no chão em cima de uma esteira, somente com as roupas do corpo. Como Giuseppe Savoi falava o alemão conversava muito com o vizinho, era uma forma de se comunicarem.  Embarcaram em uma caminhonete indo para a estação ferroviária, que os levou para Sete Lagoas, cidade próxima a capital Belo Horizonte no Estado de Minas Gerais, onde já residia um irmão de Giuseppe de nome Damiano Savoi, que tinha uma chácara, onde foram morar e trabalhar em suas lavouras. Mais tarde, a família de Giuseppe Savoi mudou-se para outra chácara onde trabalhava para um professor conhecido como Dr. Otoni, trabalhando certo tempo, depois arrendaram a chácara dos Tolentinos. Conheceram em Sete Lagoas a família Cassimiro cujo chefe Sr. Olímpio Cassimiro, tinha um armazém sendo também proprietário de várias terras na região. Dois de seus filhos, Geraldo Cassimiro (Protético-odontológico) casou-se com Gemma Savoi e o médico José Cassimiro Silva (colega, amigo e companheiro de partido político de Juscelino Kubitschek de Oliveira) com Marcella Savoi, vindo para Belo Horizonte onde arrendaram uma chácara na Vila São Francisco. Em Sete Lagoas, nasceram um dos gêmeos Amério, Anna Maria, Geraldino, Marcello e Therezinha, totalizando 13 (treze filhos). Geraldo Cassimiro, genro de Giuseppe, por intermédio Magalhães Pinto (futuro Governador de Minas Gerais) conseguiu empregar Giuseppe Savoi para trabalhar no Banco da Lavoura (atual Banco Real). Os filhos de Giuseppe Savoi, estudaram, adquirindo profissão e independência, mas Clemetina Paolazzi Savoi não parava de trabalhar até mesmo depois de idosa, rachava lenha para pôr no fogão e fazia sabão onde morava na Rua Tenente Durval, no bairro de Santa Tereza em Belo Horizonte (última residência). Guiseppe Savoi nasceu em 17 de abril 1873 e faleceu aos 08 de abril 1961, Clementina Paolazzi Savoi, nasceu em 22 de fevereiro de 1889 e faleceu aos 16 de agosto de 1974. Apesar da vida sacrificada da família Savoi, desde sua chegada ao Brasil, todos os filhos conseguiram ter uma profissão honrada, constituindo suas famílias, dando-lhes educação e formação dignas. Hoje, a família Savoi participa maciçamente do Circolo Trentino di Belo Horizonte, sendo o maior número de participantes por família no quadro de associados e diretoria.

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oie obrigado por responder minha duvida.... mas qu ...
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